
Imagem do livro "Três Mulheres de Três PPPês".Fotos no Edifício Verde Mar, Santos.
Bem, os meus amigos certamente vão dizer que este post é jabá, pois moro num destes edifícios.
Quero sugerir aqui um passeio pela São Paulo de Artacho Jurado, empreiteiro que construiu entre as décadas de 40 e 60 as obras mais coloridas e oníricas da cidade.
Dono de um estilo considerado kitsch, Artacho construiu muitos de seus prédios em Higienópolis. Atrevo-me a até dizer que ele imprimiu seu estilo ao bairro, já que muitos outros arquitetos o copiaram por lá.
Para reconhecê-lo, repare nas pastilhas coloridas, desenhos sinuosos em seus pilares e maquises, muitos arabescos, além de jardins e incríveis salões de festa em suas coberturas. Seus prédios estão em Santos e São Paulo, sendo que aqui muitos estão concentrados na região central da cidade como Paulista, Higienópolis, Av. São Luiz, Viaduto 9 de Julho e Rua Maria Paula.
Lançando teorias sobre o lazer comunitário, sempre incluía em seus projetos jardins, piscinas, bares e salões de festas, que compõem as áreas comuns de seus edifícios, hoje tão caras ao mercado imobiliário.
Na época não foi tão valorizado por não ter formação (Jurado estudou até a 4ª série do primário) e foi muitíssimo criticado pela acadêmia. Entretanto, atualmente seus prédios (por que não dizer “obras”?) são extremamente disputados, além de tombados como patrimônio histórico e cultural. Para se ter uma idéia, a revista inglesa Wallpaper considerou o Edifício Bretagne um dos melhores do mundo para se viver.

Com a recente valorização do estilo vintage, as obras de Artacho passaram a ser disputadas na cidade.
Em maio deste ano o arquiteto e professor Ruy Debs lançou pela editora Senac o livro “Artacho Jurado: Arquitetura Proibida”. O livro faz um apanhado da vida de Jurado e da história de seus empreendimentos, as contrutoras Anhanguera e Monções, e é recheado de fotos (são 400 no total) de todas as suas obras, contendo até mesmo fotos de apartamentos do empreitero e arquiteto.
A leitura do livro vale à pena e recomendo também duas visitas na web:a comunidade do Artacho no orkut e o álbum de fotos no Flickr, ambos muito bem moderados articulados por Wagner Tamanaha.
Ps: O Wagner organiza por meio da comunidade do orkut as “Flâneries Artachianas”, passeios em grupo pela maiorida das obras de Jurado.
6 respostas Até agora ↓
ruy eduardo debs franco // Julho 15, 2008 às 10:05 pm |
Prezada Mariana
Lisongeado com o seu texto agradeço demais as suas palavras.
Mas, se você me permite, gostaria de fazer algumas considerações ou correções.
Vamos lá:
1. Jurado nunca construiu em Campinas. Você há de saber que a cidade de Campinas era nada para o mercado imobiliário nas décadas de 50 e 60. O que mandava bem era São Paulo, Santos e Guarujá.
2. Não havia saunas nos prédios de Jurado. Tinha piscina. Saiba sim que a piscina do Bretagne foi a primeira em prédios residenciais na cidade de São Paulo.
3. Ai de você, falo dos profissionais arquitetos, se não fizer uma piscininha sequer em seus empreendimentos. Muito ao contrário, o mercado imobiliário de hoje prima e exije que você coloque ítens de lazer. O Jurado foi o pioneiro nisto!
Mais; é ele quem cria o conceito de prédio-cidade (exemplo; Conjunto Nacional na Paulista do Libeskind e Viadutos do Jurado) e depois o de prédio-clube com o Bretagne, seus salões e piscina. Trabalho para o mercado imobiliário de alto padrão na Riviera de S.Lourenço onde já projetei e construí por uma construtora, duas casas e 5 prédios. Estou protocolando o meu 6o agora, logo, entendo do assunto.
4. Quanto ao CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) este jamais reconhecerá um prático, ou auto-didata, como queira, assim como os outros conselhos também não reconhecerão.
5. Eu não fiz um biografia (repare que você escreveu biliografia, que não tem nada a ver) e sim um apanhado da obra dele. Evidente que esses dois temas se interpenetram, o que é inevitável.
6. Por último e não menos importante é que o meu livro não está esgotado, infelizmente, quisera eu!
Fiz 3 Artacho-tour, onde eu guiei grupos de pessoas pelos prédios dele e foi nuito divertido. Entre no http://www.arqbacana.com.br e vá em Aconteceu e veja as fotos.
Muito obrigado mesmo pelo seu interesse no meu trabalho.
Fico ao seu dispor para um papo ou qualquer outra coisa.
Abraços
Kátia // Julho 16, 2008 às 8:11 am |
phina. sempre.
vou linkar.
=****
marinobre // Julho 17, 2008 às 3:44 am |
Professor Ruy,
Muito obrigada pela colaboração. As correções foram feitas.
Não sei se fora uma questão de distribuição, mas os exemplares não estavam disponíveis estavam disponíveis nas livrarias FNAC, Cultura e Saraiva, em função da grande procura. Mas, de todo modo, quis dizer é que estavam esgotados nas livrarias, não nas editoras.
Enviarei para o seu email as fontes que utilizei para esta pesquisa, alem do seu livro, a fim de que você possa os informar sobre alguns equívocos reproduzidos aqui.
Mais uma vez, muitíssimo obrigada!
Mariana
ruy eduardo debs franco // Julho 17, 2008 às 2:20 pm |
Oi Mariana
Legal.
De fato essa estória de distribuição nas livrarias é uma verdadeira panacéia. Não dá para acreditar, leia só: Uma mesma livraria encomenda por exemplo 300 exemplares e distribui aleatoriamente entre as filiais, por exemplo 23 para uma 15 para outra 1 para a tal e restante para outra que pode repassar para quem o gerente achar que deve. Loucura!! só vendo para crer.
Eu tenho exemplares comigo e se você ou alguém mais quiser é só me escrever. O preço é o da praça, ou seja, R$80,00.
Marcamos um encontro eu os levo, autografo e ainda damos risada da vida, tá bom?
Obrigado
DUDU SANTOS // Julho 17, 2008 às 9:18 pm |
Adorei todas seus textos, temas interessantes,bem escrito…parabéns
Dudu Santos
Louca por Artacho Jurado « Flânerie // Novembro 12, 2008 às 12:11 am |
[...] ao meu arquiteto predileto, o Artacho Jurado. Quem aompanha este blog deve se lembrar de um post que fiz sobre ele, logo que comecei este [...]