Flânerie

Um pouco de sonho na arquitetura paulistana

Julho 15, 2008 · 6 Comentários

Foto no livro "Três Mulheres de Três PPPês", do Paulo Emìio Sales Gomes. Fotos no Edifãio Verde Mar, Santos, 1957

Imagem do livro "Três Mulheres de Três PPPês".Fotos no Edifício Verde Mar, Santos.

Bem, os meus amigos certamente vão dizer que este post é jabá, pois moro num destes edifícios.

Quero sugerir aqui um passeio pela São Paulo de Artacho Jurado, empreiteiro que construiu entre as décadas de 40 e 60 as obras mais coloridas e oníricas da cidade.

Dono de um estilo considerado kitsch, Artacho construiu muitos de seus prédios em Higienópolis. Atrevo-me a até dizer que ele imprimiu seu estilo ao bairro, já que muitos outros arquitetos o copiaram por lá.

Para reconhecê-lo, repare nas pastilhas coloridas, desenhos sinuosos em seus pilares e maquises, muitos arabescos, além de jardins e incríveis salões de festa em suas coberturas. Seus prédios estão em Santos e São Paulo, sendo que aqui muitos estão concentrados na região central da cidade como Paulista, Higienópolis, Av. São Luiz, Viaduto 9 de Julho e Rua Maria Paula.

Lançando teorias sobre o lazer comunitário, sempre incluía em seus projetos jardins, piscinas, bares e salões de festas, que compõem as áreas comuns de seus edifícios, hoje tão caras ao mercado imobiliário.

Na época não foi tão valorizado por não ter formação (Jurado estudou até a 4ª série do primário) e foi muitíssimo criticado pela acadêmia. Entretanto, atualmente seus prédios (por que não dizer “obras”?) são extremamente disputados, além de tombados como patrimônio histórico e cultural. Para se ter uma idéia, a revista inglesa Wallpaper considerou o Edifício Bretagne um dos melhores do mundo para se viver.

Com a recente valorização do estilo vintage, as obras de Artacho passaram a ser disputadas na cidade.

Com a recente valorização do estilo vintage, as obras de Artacho passaram a ser disputadas na cidade.

Em maio deste ano o arquiteto e professor Ruy Debs lançou pela editora Senac o livro “Artacho Jurado: Arquitetura Proibida”. O livro faz um apanhado da vida de Jurado e da história de seus empreendimentos, as contrutoras Anhanguera e Monções, e é recheado de fotos (são 400 no total) de todas as suas obras, contendo até mesmo fotos de apartamentos do empreitero e arquiteto.

A leitura do livro vale à pena e recomendo também duas visitas na web:a comunidade do Artacho no orkut e o álbum de fotos no Flickr, ambos muito bem moderados articulados por Wagner Tamanaha.

Ps: O Wagner organiza por meio da comunidade do orkut as “Flâneries Artachianas”, passeios em grupo pela maiorida das obras de Jurado.

Categorias: Uncategorized

6 respostas Até agora ↓

  • ruy eduardo debs franco // Julho 15, 2008 às 10:05 pm | Responder

    Prezada Mariana
    Lisongeado com o seu texto agradeço demais as suas palavras.
    Mas, se você me permite, gostaria de fazer algumas considerações ou correções.
    Vamos lá:
    1. Jurado nunca construiu em Campinas. Você há de saber que a cidade de Campinas era nada para o mercado imobiliário nas décadas de 50 e 60. O que mandava bem era São Paulo, Santos e Guarujá.
    2. Não havia saunas nos prédios de Jurado. Tinha piscina. Saiba sim que a piscina do Bretagne foi a primeira em prédios residenciais na cidade de São Paulo.
    3. Ai de você, falo dos profissionais arquitetos, se não fizer uma piscininha sequer em seus empreendimentos. Muito ao contrário, o mercado imobiliário de hoje prima e exije que você coloque ítens de lazer. O Jurado foi o pioneiro nisto!
    Mais; é ele quem cria o conceito de prédio-cidade (exemplo; Conjunto Nacional na Paulista do Libeskind e Viadutos do Jurado) e depois o de prédio-clube com o Bretagne, seus salões e piscina. Trabalho para o mercado imobiliário de alto padrão na Riviera de S.Lourenço onde já projetei e construí por uma construtora, duas casas e 5 prédios. Estou protocolando o meu 6o agora, logo, entendo do assunto.
    4. Quanto ao CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) este jamais reconhecerá um prático, ou auto-didata, como queira, assim como os outros conselhos também não reconhecerão.
    5. Eu não fiz um biografia (repare que você escreveu biliografia, que não tem nada a ver) e sim um apanhado da obra dele. Evidente que esses dois temas se interpenetram, o que é inevitável.
    6. Por último e não menos importante é que o meu livro não está esgotado, infelizmente, quisera eu!

    Fiz 3 Artacho-tour, onde eu guiei grupos de pessoas pelos prédios dele e foi nuito divertido. Entre no http://www.arqbacana.com.br e vá em Aconteceu e veja as fotos.
    Muito obrigado mesmo pelo seu interesse no meu trabalho.
    Fico ao seu dispor para um papo ou qualquer outra coisa.
    Abraços

  • Kátia // Julho 16, 2008 às 8:11 am | Responder

    phina. sempre.
    vou linkar.
    =****

  • marinobre // Julho 17, 2008 às 3:44 am | Responder

    Professor Ruy,

    Muito obrigada pela colaboração. As correções foram feitas.

    Não sei se fora uma questão de distribuição, mas os exemplares não estavam disponíveis estavam disponíveis nas livrarias FNAC, Cultura e Saraiva, em função da grande procura. Mas, de todo modo, quis dizer é que estavam esgotados nas livrarias, não nas editoras.

    Enviarei para o seu email as fontes que utilizei para esta pesquisa, alem do seu livro, a fim de que você possa os informar sobre alguns equívocos reproduzidos aqui.

    Mais uma vez, muitíssimo obrigada!

    Mariana

  • ruy eduardo debs franco // Julho 17, 2008 às 2:20 pm | Responder

    Oi Mariana
    Legal.
    De fato essa estória de distribuição nas livrarias é uma verdadeira panacéia. Não dá para acreditar, leia só: Uma mesma livraria encomenda por exemplo 300 exemplares e distribui aleatoriamente entre as filiais, por exemplo 23 para uma 15 para outra 1 para a tal e restante para outra que pode repassar para quem o gerente achar que deve. Loucura!! só vendo para crer.
    Eu tenho exemplares comigo e se você ou alguém mais quiser é só me escrever. O preço é o da praça, ou seja, R$80,00.
    Marcamos um encontro eu os levo, autografo e ainda damos risada da vida, tá bom?
    Obrigado

  • DUDU SANTOS // Julho 17, 2008 às 9:18 pm | Responder

    Adorei todas seus textos, temas interessantes,bem escrito…parabéns
    Dudu Santos

  • Louca por Artacho Jurado « Flânerie // Novembro 12, 2008 às 12:11 am | Responder

    [...] ao meu arquiteto predileto, o Artacho Jurado. Quem aompanha este blog deve se lembrar de um post que fiz sobre ele, logo que comecei este [...]

Deixe um comentário